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Projeto de educação cooperativista na escola dá os primeiros passos

Desde o início do ano, a Unicred e a FAEC (Fundação Antares de Educação e Cultura) se uniram para a implantação de um projeto de educação cooperativista na grade curricular do Colégio Antares, mantido pela fundação. Depois de um período de formatação e planejamento, a iniciativa de disseminar valores cooperativistas entre crianças em idade escolar está prestes a ser viabilizada e vai colaborar muito com a formação e o desenvolvimento de futuros cidadãos. Acompanhe os detalhes dessa proposta inovadora, que ganhou o nome de “Aprendendo a estender a mão”, na entrevista com a Dra. Léa de Fátima Amábile de Queiroz Telles, secretária da diretoria executiva da fundação e conselheira fiscal da Unicred:

Como surgiu a ideia de um projeto de educação cooperativista na escola?
O fortalecimento da ideia surgiu depois da palestra do Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo), que aconteceu no IV Simpósio das Unicreds do Estado de São Paulo, em agosto de 2008, em Campos do Jordão. Conversei com Dr. Emerson Assis, presidente da Unicred, pois acreditamos que a educação é a melhor via para as transformações sociais e que poderíamos fazer algo no âmbito cooperativista com os alunos do Colégio Antares.

Além do projeto de educação cooperativista, quais vínculos o Colégio Antares mantém com o cooperativismo?
O Colégio Antares é uma fundação com gestão participativa, feita por pais de alunos, com base em princípios cooperativistas. Também mantém outros projetos com teor cooperativista, como o Eterno Aprendiz e o Jovem Aprendiz, além dar apoio e patrocinar projetos sócio-educativos de outras instituições filantrópicas. Outro fato que estimulou a participação do colégio no projeto é que todos os funcionários são cooperados da Unicred.

Para quem o projeto está direcionado?
Num primeiro momento, ele foi pensado para crianças de quinta série. Porém, quando a diretoria pedagógica e a coordenadoria apresentaram o projeto para os professores, surgiu a proposta de inseri-lo em outras séries, o que enriqueceria o conteúdo e proporcionaria uma diversidade de experiências. A adesão dos professores aconteceu de forma voluntária, respeitando-se a identidade deles com o projeto.

Qual foi o primeiro passo para a estruturação do projeto?
Inicialmente, o projeto foi concebido para incluir os alunos e a comunidade que reside no Jardim Ipiranga, onde o colégio está localizado. Realizamos um levantamento das necessidades do bairro, levando em conta a percepção de alunos, professores, funcionários, apontadas em outros trabalhos escolares. Nesse trabalho, foram citadas como questões prioritárias para a comunidade a segurança, o transporte, o lazer, o acesso e o perfil da faixa etária. Após um debate com os envolvidos na elaboração do projeto, professores, diretores, coordenadores e diretoria da Unicred, entraram em um consenso de que seria produtivo e mais impactante aplicá-lo, inicialmente, dentro da escola, lugar onde os alunos estão inseridos e passam grande parte do tempo. Assim, se chegou à formatação final.

Na prática, como o projeto vai funcionar?
O corpo técnico é formado pela diretora pedagógica, coordenadora e dois professores, um de física e outro de história. Inicialmente, participarão 20 alunos. Antes da seleção, eles serão sensibilizados e discutirão o material a ser utilizado. O conteúdo será extracurricular, até porque ocorrerá de forma voluntária. Também temos a preocupação de como o aluno divulgará para outras crianças sua experiência no projeto. Imagino que a feira de ciências seja uma boa opção.

O projeto já foi apresentado para os alunos?
Ainda não. Em decorrência da prorrogação das férias, tivemos que adiar sua apresentação. Em contrapartida, os professores conhecem muito os alunos e isso ajudará bastante na identificação daqueles que têm perfil para participar do projeto.

Quando as aulas de educação cooperativista começarão a ser aplicadas?
Mesmo com a alteração do modelo de cumprimento da grade curricular, o conteúdo programático será cumprido. Acredito que o projeto tomará corpo no próximo ano. Porém, a definição do grupo, a apresentação do projeto e as propostas finais serão concluídas até o final de 2009.

Quais foram as dificuldades encontradas até agora?
A escola já nasceu de um modelo humanista, há 29 anos. Eu não vejo nenhuma dificuldade de inserir o cooperativismo no rol de atividades extracurriculares. Até agora,não houve problema, nem de aceitação e nem de implantação. O que precisamos é de tempo para inseri-lo na grade curricular em um ano atípico.

Existe a intenção de levar o projeto para outras escolas?
Penso que é muito cedo para saber onde ele pode ser aplicado, em quantas escolas e em quais comunidades. Sei que será um projeto exclusivo, não só pela individualidade, como pelo conteúdo. O modelo de gestão do Colégio Antares não visa lucro, tem objetivos sociais, educacionais e agregadores de qualidade de vida.

Qual é a sua expectativa para o futuro do projeto?
Que gere interesse e tenha longevidade, além de ter iressonância. Acredito que as crianças aderirão, entenderão, participarão e criarão modelos cooperativistas dentro da escola. A minha percepção é muito mais humanista do que financeira.

O projeto mostra que o cooperativismo é uma solução para crise?
Sim, especialmente para a crise de consumo. Uma coisa superinteressante do projeto é a possibilidade de percepção de consumo e, principalmente, que o consumo gerará renda e que essa renda pode ser compartilhada, sustentável e sustentada. O compartilhamento é o foco.



Foto: Dra. Léa Amábile, conselheira fiscal da Unicred

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